ORIGEM e SIGNIFICADO DO SOBRENOME

Sobrenome de origem italiana do latim Medieval Estrapatiare, Transpatiare, sofrer, submeter-se a algo além de suas forças, com sentido de cometer excessos, exagerar. Submeter o físico a atividades excessivas. (Fonte: Dicionário dos sobrenomes italianos de Ciro Mioranza, pg 296).


ORIGEM HISTÓRICA DO SOBRENOME

 

No período medieval, existiu um patriarca com as seguintes características:
trabalhador incansável, excessivamente zeloso em suas obrigações, desvelado até a extenuação no cumprimento de suas atividades, infatigável, enfim, com prejuízo da própria saúde física, no seu trabalho e profissão, recebendo assim da comunidade o apelativo de Strapasson, Strapazzon, Strappazzon. Este patriarca tornou-se capostípite fundador, (iniciador) do novo ramo, tronco familiar, ao repassar seu próprio cognome aos filhos e demais descendentes.Estes passaram a usá-lo como distintivo da casata e de todos os seus componentes, perpetuando-se até hoje.

Pelos dados históricos disponíveis, deduz-se que este nome de família surgiu entre os séculos XII e XIII.
Portanto, Strapasson, Strapazzon, Strappazzon, significa, trabalhador incansável, sem limites de energia, labutador inconteste que se submete a uma atividade excessiva, na qual pode remeter até a própria saúde, descuidando até seu próprio corpo. Um exagerado, no bom sentido, mas que paga as consequências por seus excessos.

O nome de família Strapasson, Strapazzon ou Strappazzon aparece em registros de Batismo, matrimônio e sepultamento desde o século XVI.
Pelos registros historiográficos das paróquias, é, um sobrenome especificamente feltrino. Sua incidência mais significativa ocorre exatamente nas cidades de Arsiè e Feltre, na Província de Belluno, região do Vêneto.

Hoje, na Itália, este nome de família é grafado prevalentemente como Strappazzon, com menor frequência Strapazzon, enquanto Strapasson é quase inexistente. As três formas estão corretas e retratam diferentes períodos histórico-linguísticos.


 

                             


                                                                                 STRAPASSON


Representa a forma mais genuína, mais antiga e arcaica, mais fiel às raízes e às origens desse sobrenome de tradição popular das montanhas feltrinas. Trata-se, pois, da forma original extraída do dialeto feltrino que pode ser observada em quatro aspectos transparentes:
Primeiro: Não existe em italiano vocábulo terminado em consoante e Strapasson representa um termo típico feltrino; segundo, não subsiste consoante dupla em nenhum dialeto vêneto (exceção feita de rr e ss); terceiro, sendo Strapasson termo essencialmente de extração dialetal, na língua italiana se prefere Strapazzatore, sendo menos usado Strapazzone;



STRAPAZZON



Representa a forma mais italianizante. Sob o ponto de vista linguístico, Strapazzon e variantes se constitui num vocábulo composto por três elementos latinos: Extra, que quer dizer: ir além de, superar, exagerar, ultrapassar, Patiens, do verbo patior, patiare, que significa: sofrer, submeter, aturar, forçar; Oneus, sufixo aumentativo que transmitea idéia de incomum, exagerado. 
Sob um enforque etimológico, o prefixo Stra expressa a noção de superlativo, grandiosidade, superação.



STRAPPAZZON



É um hipercorretismo colocando consoante dupla onde não existe. Nota-se que este processo ocorreu na própria Itália. Com relação ao Brasil seria necessário analisar os documentos originais dos imigrantes que aqui aportaram para saber se eles vieram como Strapasson, Strapazzon ou Strappazzon.
Pode-se, portanto, afirmar que hoje na Itália, subsiste a forma dialetal na pronúncia e a italianizada predomina na grafia.

Algumas pessoas dessas famílias se destacam a partir do séc. XXIII. Assim, em 1947, Giovanni Maria Strappazzon é eleito Massaro (administrador), dos bens da paróquia de Arsiè, juntamente com outros três. Num oratório de Arsié consta a seguinte inscrição: “Mr. Bortolo e Mr. Antonio Fratelli Strappazzon F.F.P.S.D. l`anno 1780.

Em 1917, um Pelotão de soldados sob o comando do Sargento Strappazzon rechaçou os Autríacos que pretendiam invadir Arsiè e todo o Vale estratégico de comunicação com Feltre, Trento, Vicenza.

Não teve a mesma sorte Elio Strappazzon, um dos organizadores da resistência contra os alemães em 1945 que, prendendo-o, arrastam-no até o centro de Arsiè onde o executam.

Entre os prefeitos de Arsiè, desde a unificação da Itália em 1870 até hoje, citam-se Giovanni Strappazzon (1880 –1883) e Sisto Strappazzon (1961 – 1964 e 1970 – 1972).

 Luca Strappazzon - (nascimento 06.06.1978, mandato 26.05.2014 – 2019).

Na paróquia de Sospirolo, entre Feltre e Belluno, registra-se a presença, em 1915, de Don Giulio Strapazzon, como vigário-cooperador.


REPORTAGEM



A seguir uma importante reportagem,do jornalista EDELCIO LOPES, para o jornal, CORREIO de Videira - SC, falando sobre Um Moinho e que constituiu um marco histórico, na existência daquela cidade, como também na história da Família Strapazzon, em especial os descendentes de Luiz e Rodolfo,seus principais protagonistas. Foram anos de muito trabalho, crescimento e progresso desse Moinho.

O envio dessa reportagem se deve ao jovem Rafael Maciel Strapazzon, um dos descendentes de Luiz e Rodolfo Strapazzon. Obrigada Rafael! Assim todos nós, podemos tomar conhecimento de um pouco da história desses bravos guerreiros, que nos deixaram, principalmente, um grande exemplo de vida.



 

CORREIO DE VIDEIRA –

PRÊMIO ADJORI REPORTAGEM LIVRE
terça-feira, 08/06/2004 -
CADERNO2




A HISTÓRIA DE UM MOINHO

 

Construído originalmente em 1930, ele funcionava com a água do Rio das Pedras, que vinha pelo canal, aberto pelos trabalhadores, como Rodolfo Strapazzon.
A matéria vencedora do prêmio ADJORI de jornalismo deste ano, mostrava uma realidade totalmente diferente do Moinho Colonial da Vila De Carli, perante a sua situação atual, quando o que resta dela, são só ruínas em montes de carvão.
Quando foi publicada, em 16 de agosto do ano passado (ano 2003),trazia na sua essência o objetivo de contar a história de um importante ponto de comércio, que existiu no município entre as décadas de 20 e 40 e que naquela oportunidade, estava abandonado, legado a ação do tempo.
Hoje ele nem mais existe e talvez o seu mais importante registro seja aquela publicação, agora reconhecida como produção jornalística de melhor qualidade no ano de 2003. Mas acredita-se que ela cumpriu um papel ainda mais importante, que é o do registro histórico de sua existência. Na sua concepção primeira, queria-se com a veiculação da matéria, mostrar aos leitores o que aquele velho moinho representou, numa época em que se configurava como uma das poucas alternativas no beneficiamento de grãos.
Assim foi. A reportagem trouxe informações da sua construção, seu ramo de atividade e explorou um lado conhecido de poucos, mas que envolveu muitas pessoas na sua viabilização. O CORREIO contou em detalhes como foi feito o canal por onde corria a água responsável por tocar uma roda de 12 metros de diâmetro, que por sua vez servia para movimentar todas as engrenagens do Moinho. Mais do que explorar este pitoresco fato para publicar a matéria, voltamos ao local onde o valo nascia.
Junto foi o aposentado Rodolfo Strapazzon, filho de Luiz, que construiu o primeiro moinho naquele local. Na margem do Rio das Pedras, ele pode relembrar os 36 meses trabalhados, com a picareta na mão, abrindo o canal que mais tarde, iria tocar a grande roda a mais de 5 Kms dali. Rodolfo contou a história do moinho, que na sua essência, se mescla com sua própria história de vida, tamanho o envolvimento que teve durante a sua concepção.
Foi isso, que os leitores viram ao receber o jornal. Tiveram contato com uma passagem esquecida da história recente do município de Videira-SC.
Ficaram também surpreendidos com a história dos peixes que desciam pelo canal e acabavam ficando presos nas grades da comporta, sendo distribuídos mais tarde entre os funcionários do moinho. Souberam também que apesar de sua aparência rústica, ele já foi imperioso.
Resgatar histórias assim, tomadas com foco para um acontecimento, paralelo ao fato principal, no caso a existência do moinho, tem sido uma constante dentro do moderno jornalismo, cujas técnicas passadas de forma constante, através do aprimoramento profissional e adaptadas a realidade local. Promover esse tipo de conhecimento foi, é e sempre será um dos objetivos fervorosos do nosso CORREIO. Esta receita vem dando certo e a comprovação pode se dar através dos prêmios que o jornal tem conquistado.



OUTRA REALIDADE 
 


A realidade romântica do moinho que foi mostrada na reportagem vencedora, já não existe mais. Hoje ele se resume a um amontoado de carvão. Foi o que restou do grande incêndio registrado em novembro do ano passado (2003), poucos meses depois da matéria ser publicada.
O Moinho era habitado por sem tetos que, sem ter para onde ir, acabavam por ficar no seu interior. Numa noite, o que os vizinhos temiam acabou acontecendo e o Moinho viu-se desfazer em chamas, o que a forçado progresso construiu, junto com as labaredas, cuja madeira serviu de combustível, se esvaíram junto às histórias daquele lugar, que foi imponente pela sua natureza e um sinal evidente da evolução dos tempos.
O que resta são alguns poucos registros históricos daquela edificação. Um deles. Talvez aquele que mais tenha prendido a atenção, juntamente com suas peculiaridades, é este que o CORREIO publicou no ano de 2003 e que agora foi premiado, mostrando que a sua concepção foi extremamente correta, além de manter acesos os vínculos com a comunidade.
A idéia de fazer a reportagem nasceu por sugestão de Ivo Berto, que queria transformar o Moinho num museu. Para ampliar essa intenção, foi que o CORREIO, produziu a premiada matéria, cuja reprodução está nas páginas 8 e 9 desta edição.


QUE FIQUE PARA A HIS
TÓRIA ESTE REGISTRO,

ASSIM COMO O MOINHO FEZ PARTE DA HISTÓRIA DE VIDEIRA - SC.



MOINHO PODE SE TRANSFORMAR EM MUSEU



Quem olha o Moinho Colonial localizado às margens do Rio das Pedras, na Vila De Carli, não imagina nem parte da sua história e da importância que já representou para o município de Videira, nos primórdios da sua colonização. O aspecto de abandono que o reveste desnuda também a falta de preservação histórica de pontos referenciais importantes, cujo trabalho foi determinante para os desbravadores.
A edificação de madeira que ali resiste à ação do tempo não é mais original, mas guarda uma singularidade idêntica. Tanto, que existe um movimento para transformá-lo numa espécie de museu, que contaria de forma diferenciada, uma página da história videirense conhecida por muito poucos. Ali, naquele local, foi originado o primeiro moinho do município, com grande escala produtiva para a época.
O empreendedor foi Luis Strapazzon, que veio do Rio Grande do Sul como tantos outros imigrantes, embalado pelo sonho de uma vida melhor em terras catarinenses, fartamente oferecidas pelas companhias de desenvolvimento, que por aqui efetivavam seus negócios. O antigo moinho beneficiou milho, trigo e mandioca por cerca de 20 anos, depois foi colocado abaixo para dar lugar aquele que até hoje permanece no local.
Alvo de ataques de vandalismo, o moinho guarda uma história repleta de perseverança, fator determinante para fomentar o interesse em transformá-lo num centro de preservação histórica. Um exemplo disso, é o valo que foi aberto por trabalhadores braçais, desde a cachoeira localizada atrás da ABECELESC, até o moinho, para tocar a sua pedra de moenda. O esforço envolveu mais de 30 trabalhadores, que concluíram o serviço em 36 meses.
Para tocar a roda de 12 metros, que movimentava a pedra, a água precisava chegar com força no moinho. Por isso o valo foi construído, sempre oferecendo queda. Do ponto de coleta da água até o moinho, são 2.300 metros. A altura do valo variava, de acordo com a necessidade, chegando, em alguns pontos, a ter seis metros de profundidade. Noutros, tinha menos de 30 centímetros.
Toda a obra foi planejada e se fazia necessária numa época em que energia elétrica era artefato de luxo. Mais tarde, a água que vinha pelo valo foi aproveitada para tocar turbinas que geravam energia. O valo percorre um caminho que margeia o rio, atravessa vários lotes e faz parte da lembrança dos moradores da Vila De Carli. Desativado há mais de 30 anos, ainda é possível ver seu contorno e grandiosidade.



“TRABALHÁVAMOS DIA E NOITE”



O aposentado Rodolfo Strapazzon, filho do dono do primeiro moinho, trabalho na construção do valo e recorda das dificuldades enfrentadas para viabilizá-lo. Nesta semana, a convite do CORREIO, ele voltou ao local onde ele nasce e relembrou um tempo remoto, quase esquecido.
Corria o ano de 1926, quando seu pai decidiu juntar a família e tentar vida nova por estas bandas. Aqui, desde o princípio pensou em colocar a disposição dos moradores um moinho, principalmente pela sua prática em fabricá-los.
Carpinteiro dos bons, Luiz Strapazzon já tinha ajudado na construção de muitos moinhos na sua terra natal e, diante da possibilidade de angariar sucesso na investida, iniciou a construção em Videira. “Todo mundo ajudou na abertura do valo, desde minhas irmãs”, lembra Rodolfo.
Ele destaca que os trabalhadores cavavam dia e noite para acelerar a obra. “Não podíamos parar porque senão o moinho demoraria demais para iniciar suas atividades”. Ele não recorda mais a data, mas sabe contar cada detalhe do primeiro dia que a água correu pelo valo.
“Foi uma festa muito grande. O povo se dividiu entre dois locais, onde a água era desviada e no moinho, para ver ela chegando e tocando a grande roda”, salienta. Além do seu desenho, o valo ainda mantém alguma estrutura resistente ao tempo.
No local onde era desviado, a comporta de concreto resiste e deixa claro como eles faziam para parar o moinho. “Sempre no domingo de manhã a gente vinha até aqui para fechar a comporta. Sem água, a roda parava. Na segunda-feira, abríamos de novo e a rotina recomeçava.
O moinho funcionava noite e dia para dar conta das encomendas e tinha capacidade de processar até seis sacos de milho, num só dia. As encomendas também eram muitas. “Tinha serviço de monte. Nunca parávamos e isso mostra a importância que ele tinha”



TENTATIVAS E PEIXES



Para acertar o ângulo de queda do valo, os trabalhadores tiveram que cavá-lo três vezes, em locais distintos. O trabalho era sacrificado e feito a picareta. Não existiam máquinas que oferecessem outra alternativa. “Foi complicado para acertar a queda, mas conseguimos fazer isso relativamente rápido, possibilitando a operação do moinho”.
As tentativas foram abandonadas e encaminhadas para o valo definitivo, que daí então, passou a se estender até o moinho. Nesta mesma época, o rio era responsável por mover turbinas de geradores de energia elétrica e também destinados a outras atividades. “Hoje tudo é diferente, mas naquele tempo tínhamos que ser criativos”, justifica Rodolfo.
Quando a comporta era fechada, iniciava-se uma espécie de festa entre os moradores da redondeza. É que os peixes que estavam pelo canal, acabavam se acumulando e virando refeição de muitos deles. “Tinha muito peixe. Todos que vinham levavam dois ou três para casa e muita gente se alimentou com aqueles que ficavam no valo do moinho”, lembra.



RESTAURAÇÃO PARA CONTAR A HISTÓRIA



*
Artesão quer restaurar o moinho e transformá-lo num ponto de visitação turística e de estudantes.

Depois de pertencer a Luis Strapazzon, o moinho teve mais seis donos, até ser fechado definitivamente, em 1995. Hoje, o local está sob judice, por causa de uma dívida junto ao Banco do Brasil e foi oferecido como garantia. Como os prazos de quitação já expiraram, o local foi colocado em leilão por vezes consecutivas, sem que reunisse interessados na aquisição.
Segundo informações extraoficiais, o valor do imóvel é de cerca de R$ 60 mil. O artesão Ivo Berto está encabeçando um movimento para tornar o local um centro de referência histórica do município. Segundo ele, um contato preliminar com o banco já foi feito no sentido de que a edificação seja cedida para acomodar uma espécie de museu.
“Nosso principal interesse é na sua preservação. Queremos recuperar a sua estrutura externa e interna para que ela sirva de local de visitação para estudantes e turistas”, explica ele, que também pensa em implantar um projeto piloto de mudas de árvores num barracão ao lado do moinho. As mudas seria usadas na revitalização das margens do Rio das Pedras.
“Precisamos preservar de alguma forma esse patrimônio, que encontrasse totalmente abandonado”, justifica. A ideia não é ruim, principalmente porque ele tem intenção de utilizar o maquinário que restou do último moinho de forma lúdica. “Podemos criar bonecos gigantes que se movimentam fazendo alusão ao trabalho que era realizado aqui”.
Ele diz estar disposto a buscar parcerias para efetivar a iniciativa, principalmente no tocante a recuperação do local. Segundo Berto, há interesse de empresas em manter lugares assim, com condições de visitação e que mostram a história do município. “Podemos também contar outras passagens de Videira, no mesmo local”.


LOCAL ESTÁ ABANDONADO



Fechado há quase dez anos, o moinho tem na sua edificação o principal símbolo da sua história. Apesar de precária, a sua condição ainda demonstra o que ele representou, principalmente pelo estilo em que foi construído. Hoje, ele se tornou alvo de vândalos que quebram suas janelas e adentram nele para consumir bebidas e drogas.
“Apesar desta condição, eu acredito que é possível recuperá-lo inteiramente, por isso aposto nessa idéia”, justifica Berto. Segundo ele, praticamente todas as janelas do local foram quebradas com pedras atiradas da rua. “É uma pena que esteja nesta situação, mas podemos reverter isso e transformá-lo num museu referência para o município”, finaliza.

 






 

 



 

 

 

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